A adoção de plataformas digitais e a criação de marketplaces próprios estão revolucionando a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. No passado, grandes fabricantes, indústrias e fornecedores de bens de consumo concentravam a maior parte de suas vendas em distribuidores, direcionando a eles pequenas e médias empresas (PMEs) e até mesmo clientes finais (B2C). Embora esse modelo fosse conveniente, ele limitava o contato direto com o consumidor, dificultava a previsão de demanda e prolongava o ciclo de suprimentos.
Hoje, com a transformação digital ganhando força, muitas empresas optam por construir seus próprios canais de venda online (webstores) e marketplaces, incluindo aplicativos e plataformas omnichannel, para se aproximar de clientes de todos os portes. Ao cortar intermediários, elas passam a conhecer melhor as necessidades de cada perfil de comprador, oferecendo soluções mais adequadas e reforçando a fidelização.
Neste artigo, vamos mostrar como esse modelo de marketplace impacta processos financeiros, tesouraria, gestão de riscos e câmbio, além de compartilhar dicas sobre como as empresas podem se preparar para operar de forma eficiente e segura nesse novo cenário.
Por que migrar para um marketplace próprio?
- Relacionamento direto com o cliente
- Controlar a experiência do comprador, do contato inicial ao pós-venda, permite coletar dados para entender preferências, oferecer promoções personalizadas e construir uma relação de longo prazo.
- Redução do tempo de resposta
- Em vez de esperar os processos mais lentos de distribuidores, o fluxo entre pedido, pagamento e entrega torna-se mais ágil, garantindo maior satisfação do cliente.
- Flexibilidade de pagamento
- Oferecer pagamentos digitais em tempo real, cartões, carteiras digitais e até mesmo soluções de crédito direto estimula as vendas e amplia o alcance para diferentes públicos.
- Melhor gestão de estoque e previsibilidade
- Ao monitorar as compras diretamente, é possível repor produtos de maneira mais assertiva, reduzindo custos de armazenagem e minimizando faltas ou excessos de estoque.
Principais impactos na tesouraria e nos processos financeiros
A migração do modelo tradicional de distribuidores para o comércio direto via marketplace exige mudanças significativas na maneira de gerenciar fluxos de caixa, pagamentos, riscos cambiais e liquidez.
1. Gestão do “operating cash”
- Volume e variedade de transações: Em vez de poucos pagamentos de grandes distribuidores, a empresa passa a lidar com um número maior de transações de baixo valor.
- Diversos métodos de pagamento: Cartões de crédito, boletos, transferências instantâneas (Pix), wallets e outros meios de pagamento digital se tornam essenciais para atender aos clientes.
- Rápida reconciliação: Identificar e conciliar pequenos pagamentos em grande quantidade requer ferramentas avançadas, como gateways de pagamento e contas virtuais com recursos de rich data.
2. Risco cambial e cobrança em múltiplas moedas
- Antes vs. Depois: Anteriormente, as empresas vendiam para distribuidores em uma única moeda (USD, por exemplo), reduzindo a exposição cambial. Agora, ao vender diretamente para diferentes países, é preciso ter estratégias de FX (foreign exchange) para lidar com múltiplas moedas.
- Ferramentas de precificação dinâmica: Para tornar a compra mais conveniente, muitas empresas oferecem preços na moeda do comprador em tempo real. Soluções de FX em tempo real e APIs integradas auxiliam a precificar e travar taxas, minimizando impactos de variações cambiais.
3. Liquidez e ciclo de conversão de caixa
- Mudança no fluxo de recebíveis: Sai o pagamento via fatura com prazos pré-estabelecidos e entra o fluxo contínuo de microtransações 24/7.
- Estratégias de pooling e gestão de saldos: Para centralizar recursos de diferentes localidades e moedas, muitas tesourarias adotam ferramentas de pooling ou estruturas de cash management internacionais, o que exige integração tecnológica com bancos e ERPs.
- Crédito próprio: Empresas que antes contavam com distribuidores para conceder prazo aos clientes podem passar a oferecer linhas de crédito diretamente, inclusive por meio de carteiras digitais pré-pagas e pós-pagas.
Compliance, licenças e aspectos regulatórios
Ao assumir o controle total do processo de vendas e pagamentos, é fundamental avaliar:
- Licenças de pagamento em cada país: Em alguns mercados, oferecer serviços de pagamento ou armazenar valores de terceiros pode exigir registro como Instituição de Pagamento ou parcerias com PSPs (Payment Service Providers) que já possuam a licença.
- Estrutura tributária: O fluxo direto de receitas de múltiplos locais pode aumentar a complexidade fiscal, demandando revisões de planejamento tributário e alocação de recursos.
A importância de parcerias estratégicas e tecnologia de ponta
Poucos times de tesouraria têm a experiência ou infraestrutura necessárias para lidar com marketplaces de grande porte, multimoeda e operação 24/7. Portanto:
- Alinhamento com a TI: Integração via APIs e plataformas de open banking é cada vez mais comum para suportar pagamentos e recebimentos em tempo real.
- Parceria com bancos e fintechs: Soluções de gateway de pagamento unificadas, plataformas de conciliação e serviços de câmbio integrados podem reduzir custos e complexidade operacional.
- Consultoria especializada: Instituições como a Corretora Açoriana oferecem suporte sobre câmbio, gestão de riscos e trâmites regulatórios, ajudando a estruturar operações internacionais de forma eficiente.
Como a Corretora Açoriana pode apoiar sua estratégia de marketplace
Como corretora de câmbio referência no Brasil, a Corretora Açoriana oferece serviços que vão além da simples troca de moedas. Nosso objetivo é facilitar a expansão internacional do seu negócio, com:
- Soluções de câmbio integradas
- Cotações em tempo real para exibição no checkout do cliente.
- Estrutura de hedge para proteger margens de variação cambial.
- Consultoria em pagamentos internacionais
- Identificação dos melhores métodos de pagamento para cada mercado.
- Otimização de taxas e prazos de liquidação.
- Compliance e segurança
- Orientação sobre regulamentações, licenças e requisitos legais para operações de pagamento e recebimento no exterior.
- Parcerias com bancos e fintechs para garantir transações seguras e conformes.
- Suporte à tesouraria e gestão de liquidez
- Configuração de contas virtuais e pooling de recursos em múltiplas moedas.
- Análise de fluxo de caixa e estratégias de capital de giro.
Conclusão
A migração para plataformas digitais e marketplaces próprios é um passo estratégico para aproximar sua empresa dos clientes e aumentar a eficiência nas vendas — seja para PMEs ou consumidores finais. Contudo, essa transformação digital exige uma visão abrangente, que considere pagamentos 24/7, riscos cambiais, liquidez e compliance.
Ao se preparar de forma adequada, envolvendo a tesouraria desde o início do projeto e contando com parceiros confiáveis, sua empresa poderá colher os benefícios de relacionamentos mais fortes com os clientes, maior previsibilidade financeira e um crescimento sustentável no mercado global.
Se você deseja aproveitar essa oportunidade e precisa de consultoria especializada em câmbio e soluções de pagamentos internacionais, a Corretora Açoriana está pronta para ajudar. Entre em contato conosco e descubra como podemos colaborar para o sucesso da sua transformação digital!